Apresentadora da CJTV, Luiza Brasil usa Chloé no Summit – Foto: Reprodução/Instagram/@marieclairebr

Por Talitha Benjamin

A quarta edição do Power Trip Summit, evento de lideranças femininas organizado pela revista Marie Claire, encerrou sua programação de debates e discussões sobre a realidade das mulheres brasileiras dentro e fora do mundo corporativo, na sexta-feira (16.10), no Shopping Cidade Jardim.

Por causa da pandemia, o evento teve um formato híbrido: encontro presencial, seguindo as regras de distanciamento social, em que as convidadas e representantes da publicação estiveram ao vivo, direto do Estúdio Marie Claire montado na Casa Bossa. As demais convidadas marcaram presença por meio de plataforma virtual. O evento aconteceu de 13 a 16 de outubro.

Valéria Almeida, repórter e apresentadora do Power Trip Summit 2020, deu início aos trabalhos do último dia, que teve ricas discussões sobre direitos humanos, inteligência artificial, retomada da economia no pós-pandemia e os rumos da indústria da moda.

Foto: Reprodução/Instagram/@marieclairebr

O encontro foi iniciado com uma convidada de honra: Jurema Werneck, médica e diretora-executiva da Anistia Internacional Brasil. Por videochamada, ela conversou com a diretora de redação da Marie Claire, Laura Ancona, sobre os direitos humanos em meio à crise sanitária vivida pelo Brasil.

Falando das recomendações básicas de prevenção contra o novo coronavírus – como lavar as mãos, usar máscaras e álcool em gel – já são excludentes por si só: “as recomendações fazem sentido só para uma pequena parte da população brasileira. Elas foram lançadas sem que as autoridades levassem em conta a realidade da maior parte das pessoas do Brasil”, disse a médica, que também é colunista da publicação.

Falando sobre o papel das empresas no combate às desigualdades, Jurema disse que é preciso que todos os setores da sociedade – incluindo o corporativo – tenham o olhar voltado para os vários problemas causados pela pandemia, que são complexos: “primeiro é preciso olhar para realidade fazendo um diagnóstico profundo e, depois, propor ações a curto, médio e longo prazo”, afirmou.


Foto: Reprodução/Instagram/@marieclairebr

Na primeira mesa de conversa, a tecnologia entrou em pauta: mediadas também por Laura Ancona, as convidadas Janaina Rueda, cozinheira e proprietária do Bar da Dona Onça e da Casa do Porco Bar; Ana Paula Lapa, vice-presidente de Produtos e Inovação MasterCard; e Martha Gabriel, diretora da Martha Gabriel Consultoria, falaram sobre o uso de inteligência artificial e cibersegurança como aliadas das empresas.

O papo começou com as dificuldades enfrentadas pelo setor gastronômico por conta da pandemia, que foi o mais atingido. Janaina, que ficou três meses com os restaurantes fechados, ao abrir os serviços para delivery, acabou sofrendo um golpe por meio de um software hackeado.

A pandemia acabou acelerando uma entrada em massa de empreendedores – grandes e pequenos – no meio digital, o que torna ainda mais urgente a garantia de segurança de dados. Sobre esse recorte, Martha frisou a importância desta garantia: “quando você pensa em inteligência humana, você pensa em memória, pois um cérebro sem memória é vazio. O mesmo acontece no mundo digital, não há inteligência artificial sem dados”, explicou. “Mas o importante é ter confiança em que está utilizando seus dados”, ressaltou a consultora.


Foto: Reprodução/Instagram/@marieclairebr

Para falar sobre um dos temas mais urgentes desde o início da pandemia – a retomada da economia e quais propósitos precisam mover as marcas – a editora-chefe da Marie Claire, Maria Laura Neves, conversou com Danielle Bibas, vice-presidente de marketing da Avon Brasil; Gal Barradas, CEO da AIO Culture Code; e Viviane Duarte, jornalista e fundadora do Plano Feminino.

As convidadas discutiram sobre como a forma de fazer negócios das marcas precisa ir além do dinheiro, e estar alinhada com as mudanças sociais. Viviane afirma que a reputação de uma marca só tem a ganhar quando há um propósito atrelado aos negócios: “Falta furar a bolha. Os executivos se preocupam com o modelo de negócio e com os resultados, mas é necessário olhar para isso e para tudo o que está acontecendo ao redor; e entregar para a sociedade mais do que um produto”, disse.


Foto: Reprodução/Instagram/@marieclairebr

Para finalizar o dia de conversas e também para encerrar o Summit deste ano, a última mesa, mediada pela editora-executiva da Marie Claire, Adriana Ferreira Silva, falou sobre os rumos da indústria da moda no pós-pandemia. As convidadas foram Luiza Brasil, comunicadora e fundadora da plataforma Mequetrefismos; Alexandra Farah, jornalista especializada em moda, escritora e fundadora do festival We Ar Brasil; e Rachel Maia, conselheira de administração e consultoria em varejo, fundadora da consultoria RM Consulting e Capacita-me e presidente do conselho consultivo da Unicef.

Na conversa, falou-se sobre o outrora aquecido mercado da moda pré-pandemia, e como os seis meses de isolamento social urgiram a necessidade de se olhar para os pequenos produtores e para outras questões para além do street style: “Foi um punch em estruturas de negócio. Mostrou um despreparo das grandes empresas para o online. Apesar de mais impactadas [pela pandemia], as marcas pequenas deram aula sobre conexão, posicionamento e criação coletiva; sobre como criar um espaço de moda com mais inclusão”, afirmou Luiza. Para Rachel, o pós-pandemia será marcado pelo digital, e saber como tirar proveito dele será a chave para o sucesso.

A cobertura dos quatro dias de Power Trip Summit 2020 estão disponíveis no site da Marie Claire Brasil e o conteúdo na íntegra pode ser encontrado no canal do Youtube da revista.