Entrevista com Luiza Trajano – Foto: Reproduçção/Instagram/@marieclairebr

Por Talitha Benjamin

A quarta edição do Power Trip Summit, evento de lideranças femininas organizado pela revista Marie Claire, continuou sua programação de debates e discussões sobre a realidade das mulheres brasileiras dentro e fora do mundo corporativo, na quinta-feira (15.10), no Shopping Cidade Jardim.

Por causa da pandemia, o evento tem um formato híbrido: encontro presencial, seguindo as regras de distanciamento social, em que as convidadas e representantes da publicação estão ao vivo, direto do Estúdio Marie Claire montado na Casa Bossa. As demais convidadas marcam presença por meio de plataforma virtual. O evento acontece de 13 a 16 de outubro.

Valéria Almeida, repórter e apresentadora do Power Trip Summit 2020, deu início aos trabalhos, que teve ricas discussões sobre violência doméstica, assédio moral, cuidados na primeira infância e sustentabilidade na produção rural.

A primeira fala da noite foi ilustríssima: a empresária Luiza Trajano, presidente do Conselho do Magazine Luiza e do Grupo Mulheres do Brasil. Ela ressaltou a importância de políticas públicas para o fim das desigualdades sociais: “é necessário modernizar o país e ter um plano de governo estratégico para os pilares da desigualdade, que são saúde, educação, habitação e empreendedorismo”.

A empresária ainda falou sobre a importância de ações afirmativas – como as cotas para negros -, desigualdades e violência doméstica, além de defender o consumo consciente e uma economia voltada para o povo, garantindo que as mulheres e os negros também acessem os cargos de liderança.


Foto: Reproduçção/Instagram/@marieclairebr

A primeira mesa de conversa tratou de um assunto delicado, porém urgente e necessário: assédio moral sob o recorte feminino. Mediadas por Maria Laura Neves, editora chefe da Marie Claire, falaram sobre o assunto Luciana Campello, psicóloga e gerente do Programa Direitos e Trabalho da Laudes Foundation; Lisiane Lemos, especialista em transformação digital, integrante da lista de jovens de impacto da revista Forbes e cofundadora da ONG Rede de Profissionais Negros; Patricia Maeda, Juíza do trabalho em Campinas e integrante da Comissão Anamatra Mulheres; e Margarida Barreto, médica com mestrado e doutorado em Psicologia Social, professora e pesquisadora.

As convidadas falaram sobre os vários desafios enfrentados pelas mulheres no ambiente corporativo, que em geral são motivados pelo machismo estrutural e que quase sempre caem no silenciamento.  “O assédio limita a possibilidade da mulher entrar, permanecer e crescer no mercado de trabalho”, afirmou Luciana, citando exemplos de como muitas vezes o assédio moral tem origens no preconceito de gênero, já que as mulheres são as maiores vítimas desse tipo de violência.

Não apenas isso, mas metas abusivas, exigências excessivas e sem cabimento e humilhação também são violências comuns em ambientes corporativos, o que causa um grande desgaste mental nos empregados: “A gestão hoje se dá pela humilhação. Tem uma cultura das empresas que se calam diante de assédios morais. Ninguém foi contratado para ser discriminado”, defendeu a médica Margarida Barreto.


Foto: Reproduçção/Instagram/@marieclairebr

A mesa dedicada ao “Papel das empresas nos cuidados da primeira infância” aconteceu em seguida, mediada por Daniela Tófoli, diretora editorial das marcas femininas e de interesses especiais da Editora Globo. As convidadas Vera Iaconelli, psicanalista, mestre e doutora em psicologia pela USP, diretora do Instituto Gerar de Psicanálise e colunista da Folha de São Paulo; Paola Deodoro, editora sênior de beleza da Marie Claire e Mariana Luz, CEO da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, abriram a discussão com a questão mais urgente: o impacto da pandemia no cuidado com a criança, afetado por diversos fatores, como a precarização do ensino e a jornada contínua de trabalho.

Falando sobre o papel da sociedade na construção de uma primeira infância saudável, Mariana ressaltou a sua importância: “É nessa fase da vida que a gente desenvolve o aspecto físico, socioemocional e cognitivo. Isso forma quem seremos no futuro. Um bom investimento na primeira infância garante melhores resultados na economia e na educação”, disse.


Foto: Reproduçção/Instagram/@marieclairebr

Na última mesa do terceiro dia, a sustentabilidade novamente foi pauta, mas, dessa vez, de um ponto de vista relacionado a produção rural e o papel das mulheres em relação ao ambiente. Mediadas por Laura Ancona, diretora de redação da Marie Claire, Malu Nachreiner, líder da divisão agrícola da Bayer; Dulce Chiamulera Ciochetta, sócia proprietária do Grupo Morena e Mariana Vasconcelos, CEO da AgroSmart; falaram sobre a importância da valorização das mulheres no agronegócio, já que elas hoje fazem parte de 30% do segmento.

Em relação à sustentabilidade, Malu defende que o tema deveria ser melhor abordado pelas empresas do setor: “A agricultura de alta produtividade não é inimiga da sustentabilidade e às vezes não conseguimos nos colocar dessa forma como setor”, disse.

A sustentabilidade é ainda mais importante quando se fala do atual cenário de queimadas e desmatamento. Para Mariana, a imagem negativa do agronegócio também impacta no lucro: “A má comunicação do setor com a população também compromete o país como uma opção de investimento externo”, alerta.

Do dia 13 ao dia 16 de outubro, você pode acompanhar o evento pelas redes sociais da revista Marie Claire Brasil (@marieclairebr) ou do Shopping Cidade Jardim (@cidadejardimshopping).