Por Alexandra Farah | Ilustrações Caco Neves

Não tem que temer nem que complicar. Ser sustentável não é tão difícil assim. É muito mais uma questão de se reeducar, rever conceitos, se  reinventar. E sabe o quê? Pode ser uma experiência deliciosa. As regras dessa nova etiqueta passam por se informar sobre o que rola no mundo todo, no global. E informações não faltam, indicando que o aquecimento do planeta é real e um sintoma de que a maneira como impactamos a Terra precisa ser repensada. “Lembre-se de que a natureza vive superbem sem a gente, mas a gente não vive sem a natureza”, diz sabiamente Iza Dezon, diretora no Brasil do instituto de tendências Peclers Paris. Precisamos, cada vez mais, investir em hábitos que não poluam nem destruam o planeta. E dá para ser assim sem ser chata.

Ninguém aqui está sugerindo que ser sustentável é viver sem consumir ou sem luxo, pelo contrário. Ser sustentável é comprar aquilo que você ama tanto, que nunca vai virar lixo. Joias viram lixo? Não. Bolsas clássicas que passam de geração em geração terminam em aterros sanitários? Não. Luxo é o contrário de lixo. Quando a necessidade urgente é eliminar o desperdício, o luxo é o melhor amigo da sustentabilidade ambiental.

Tem gente que sabe disso há décadas, como a realeza da Suécia. O vestido de festa cinza e rosa que a princesa Victoria usou em dezembro do ano passado, 23 anos após o mesmo ter sido usado por sua mãe, a rainha Silvia, virou lixo? Não. Pois o episódio que correu o mundo é um exemplo contemporâneo de que ser sustentável, além de possível, pode ser muito chique.

Adotar práticas sustentáveis ainda é uma forma de exibir que você está à frente do seu tempo. Que você é antenada, interessante e até… atraente! Digo por experiência própria: ser sustentável aumenta a autoestima e causa uma ótima impressão. De bônus, você vai ficar muito mais saudável e radiante.

Isso me leva ao mandamento número um de como ser sustentável sem ser chata: atitudes reativas e impositivas não são legais. A gente se transforma em ecochato, e as pessoas ficam com preguiça não só da gente, mas, pior, do nosso propósito. Mais interessante é dar o exemplo, apresentar ideias e soluções. Não precisamos fazer pregação nem discurso em jantares. Apenas sejamos. E ajamos. Façamos nossa parte, e todos acharão o máximo aprender algo conosco.

A segunda regra vem do meu amigo, o estilista e produtor de moda Dudu Bertholini. “Ter estilo é uma atitude sustentável. Invista em autoconhecimento, descubra que looks a valorizam e aposte neles”. Assim, você vai comprar itens que realmente lhe agradam e vão durar muito. Outro amigo, o ilustrador e rei do recycling Fabio Kawallys, sugere: renove as peças que não gosta mais. “Antes de descartar, por que não mudar a cor ou aplicar uma estampa?” Além de dar uma nova cara, você aumenta a vida útil do produto.

Sustentabilidade é um aprendizado sem fim; cada dia surge algo novo. Por exemplo, desconfio de tudo que é muito barato. Para fazer uma roupa ou um acessório, há dezenas de etapas, matérias-primas que são plantadas, preparadas por muitas mãos de costureiros e artesãos e depois transportadas. Como uma roupa pode custar menos do que um hambúrguer? Também tento evitar ao máximo o descartável. Presto atenção no excesso de  embalagem, tento prolongar a vida dos itens investindo na economia circular, reutilizando de sacolas de papel e saquinhos plásticos aos apetrechos que recebo no delivery.

Também é chique ter sempre na bolsa, durante o dia, uma garrafinha reutilizável de água (quando a bolsa é pequena, eu levo na mão mesmo, bem exibida). Mantenho-me hidratada e com água fresca o dia todo. As soluções não findam. Enviaram-me recentemente uma campanha que rolou na Tailândia com sucesso: plante sementes. Sim, o povo está lavando e guardando as sementes das frutas para depois jogá-las na natureza. Muitas delas crescem, florescem e frutificam. E o número de árvores multiplica-se na região.

Eu poderia continuar esta conversa por horas, ou melhor páginas e páginas, mas quero finalizar alertando para o outro trending topic da  sustentabilidade: o consumo excessivo de alimentos de origem animal. Sei que comida é algo emocional. mas acredito que proteína em excesso aumenta o risco de muitas doenças, incluindo vários tipos de câncer. Pois bem, cortei todos os alimentos provenientes de animais desde novembro e… perdi três quilos, estou com a pele mais corada e até curei uma anemia recorrente.

Passei a investir em alimentação plant based. Como muitos vegetais, folhas, raízes, queijos de amêndoas (hummm), abacate, e estou me sentindo cheia de vida. Claro, ninguém precisa virar vegana radical. Apenas preste atenção nas suas escolhas, corte aqui e ali, e se abra para um mundo de novos sabores. Deliciosos. As toxinas no seu corpo vão diminuir, você vai se sentir moderna, seu corpo vai agradecer, e o planeta também.

 

Matéria publicada na Revista Cidade Jardim

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