Por Igor Zahir

Certa vez, ouvi de um pedestre ao passar por uma galeria de artes em São Paulo: “eles gastam tanto para abrir em um bairro caro como esse, e não devem ter retorno algum, porque quem vai investir tanta grana em arte hoje em dia?”. Embora seja, evidentemente, o pensamento de alguém que não conhece o assunto, aquela pessoa não poderia estar mais enganada.

O mercado de artes movimenta bilhões por ano, na contramão de uma crise que parece não ter fim em tantas áreas; por outro lado, é bom esclarecer, essas galerias guardam artistas renomados lá fora, lucram (muito!) com feiras internacionais e, diga-se de passagem, têm função fundamental nesse fluxo de seis a oito dígitos mencionados anteriormente.

A seguir, conheça 10 galerias que não podem faltar no radar artsy da cidade de São Paulo:

Kogan Amaro

Antiga galeria Emmathomas, ganhou outro status quando passou a ser comandada pela pianista e colecionadora russa Ksenia Kogan e pelo empresário Marcos Amaro, filho do ex-presidente da TAM, Rolim Amaro. E o casal parece mesmo não brincar em serviço – além de abrir uma filial em Zurique, na Suíça, um terceiro espaço impressiona: a Fábrica de Artes Marcos Amaro (FAMA) foi instalada no prédio de uma antiga tecelagem de 25 mil metros quadrados, em Itu, e abriga relíquias como a Coleção Guita e José Mindlin.

Mendes Wood DM

Uma das galerias mais descoladas da cidade, foi fundada pelo trio Pedro Mendes, Matthew Wood e Felipe Dmab – todos eles já foram destaque em lista de 100 pessoas mais influentes do mundo das artes. Com presença também em Nova York e Bruxelas, o espaço trabalha com artistas que não têm receio de usar suas obras para falar sobre temas polêmicos e críticos a respeito da sociedade atual.

Leme A/D

Sob direção de Eduardo Leme, a galeria representa nomes da arte contemporânea que, vez por outra, soltam a criatividade nas paredes do imponente prédio de concreto desenhado por Paulo Mendes da Rocha, vencedor do Prêmio Pritzker de Arquitetura. Após uma fusão de operações com a Almeida & Dale Galeria de Arte, agora se chama Leme A/D, e abriga criações em pintura, fotografia, escultura, instalação, vídeo e projeção.

Luciana Brito

Localizada num imóvel tombado como patrimônio cultural no Jardim Paulista (com direito à assinatura do arquiteto Rino Levi e paisagismo de Burle Marx), a galeria que leva o nome da fundadora é uma das mais conceituadas do Brasil. Em sua lista de artistas estão figuras de peso como a lendária performer Marina Abramovic, Geraldo de Barros, Gaspar Gasparian e Caio Reisewitz.

Vermelho

Entre a Consolação e Higienópolis, está o espaço preferido de uma galera mais cult: lá, além das obras de artistas como Dora Longo Bahia, Lia Chaia, Edgard de Souza e Rosângela Rennó, tem uma sala de cinema para videoarte, um restaurante e um pub, a editora Tijuana (especializada em livros artísticos), e promove o evento de performance VERBO, com curadoria de Marcos Gallon.

Nara Roesler

Visionária – e um dos nomes mais respeitados no trabalho com arte contemporânea –, a pernambucana radicada em São Paulo há décadas conquistou seu lugar no mercado e hoje tem filiais no Rio de Janeiro e Nova York. Na lista de artistas que representa estão potências como Hélio Oiticica, Vik Muniz, Tomie Ohtake, Daniel Senise, Berna Reale e Julio Le Parc.

Casa Triângulo

Na rua Estados Unidos, um grande cubo branco com uma charmosa pracinha, que em dia de vernissage se integram e chamam bastante atenção. Só pela descrição, é impossível não reconhecer a galeria fundada por Ricardo Trevisan em 1988. Mais de três décadas depois, a Triângulo se firmou como um dos espaços imperdíveis para os apreciadores de arte contemporânea em São Paulo.

Millan

Deleite para quem gosta de conferir coleções de artistas presentes nas instituições mais poderosas do mundo, como MoMA, Tate Gallery, Palais de Tokyo e Centre Pompidou. Por lá, espere encontrar também os trabalhos de nomes como Tunga, Lenora de Barros e Regina Parra.

Pivô

Em vez de alavancar comercialmente artistas como acontece em galerias, o espaço cultural – fundado por Fernanda Brenner em um pavimento de três andares do icônico Edifício Copan – funciona sem fins lucrativos, com residências artísticas que entraram no radar de novos artistas em busca de um lugar ao sol na selva de pedras.

Raquel Arnaud

Não é exagero quando a mídia diz que o circuito de galerias na cidade é dominado por mulheres. Além de Nara Roesler e Luciana Brito, outra empresária poderosa (e também pioneira) que possui um espaço com seu nome é Raquel, que desde 1973 trabalha com obras cinéticas e construtivas. Ou seja, é (mais) uma ótima desculpa para circular pela Vila Madalena e conferir os acervos de Sergio Camargo, Lygia Clark, Mira Schendel, entre outros.